Universitários denunciam postagens com teor discriminatório de aluno de química

Um aluno de química industrial da Universidade Federal do Maranhão usou as redes sociais para compartilhar material com teor discriminatório contra a comunidade LGBQI+ e mulheres neste domingo (28). Prints de publicações do jovem circulam em redes sociais desde o fim de semana, várias delas já foram excluídas da página pessoal dele.

“É hora de entregar todos os esquerdistas ao DOPS! Ustra tá muito vivo”, disse Marcos Silveira.

Em outra postagem, Marcos fala “agora chorem fraquejadas/vagabundas”, fazendo menção à frase em que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou ter 5 filhos e que foram quatro homens; sendo que na quinta deu uma fraquejada e veio uma mulher. Marcos usou as redes sociais também para afirmar que está “liberada a caça legal aos viadinhos” e que “não vale atirar na cabeça”.

À coordenação de Química Industrial da UFMA, um grupo de alunos do curso se manifestou nesta segunda-feira (29) e pediu abertura de processo administrativo contra o aluno para que sejam tomadas medidas punitivas cabíveis. No documento, endereçado ao coordenador do curso, professor doutor Arão Pereira da Costa Filho, os universitários citam capítulos do Regulamento Disciplinar do discente da Universidade e afirmam que o regimento impede o aluno de, no Capítulo 4, Artigo 5°, “ofender a moral e a honra, com palavras de baixo calão ou gestos, a qualquer um dos membros da Comunidade Acadêmica, no âmbito da UFMA”.

“O referido discente vem apresentando uma conduta repulsiva tanto dentro quanto fora das dependências do Campus da UFMA. Seu comportamento, que vem sendo acompanhado por declarações de cunho racista, homofóbico e machista, vem causando constrangimento e em alguns momentos repulsa e medo, tendo sido diversas vezes presenciado por alunos da Universidade durante toda sua vivência acadêmica”, relatam. Veja abaixo a íntegra do documento:

Na tarde desta segunda-feira, o universitário Marcos Silveira se manifestou por meio das redes sociais para pedir as “mais sinceras desculpas” pelas declarações que assumiu serem “infelizes, fora de contexto e impensadas”. O jovem disse estar profundamente arrependido por tal comportamento e que tal fato não se repetirá.

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) lançou nota sobre o ocorrido, veja abaixo:

Na manhã do dia 29 de outubro de 2018, a Universidade Federal do Maranhão tomou conhecimento de manifestações preconceituosas, investidas de intimidação, ódio e defesa de eliminação de minorias por parte de um estudante da Instituição em sua rede social. A UFMA, alicerçada na Resolução Normativa nº 238-CONSUN, de 1º de julho de 2015, promoverá a apuração rigorosa dos fatos, considerando a gravidade das declarações.

A UFMA reforça, fiel à sua história de 52 anos, sua incondicional defesa da democracia, acolhendo e respeitando os diferentes pontos de vista, mas se posicionando em colisão frontal com a agressão, seja ela física, simbólica ― verbal ou não verbal.

Na democracia, todo cidadão tem o direito à liberdade de expressão, manifestação e opinião, sem perder de vista que a publicização de certas opiniões que ferem a dignidade humana é incompatível com o Estado Democrático de Direito.

Pela premente necessidade de um país melhor e mais habitável, a UFMA reitera seu repúdio, contundentemente, às postagens que fomentem o ódio, o solapamento do outro e o desrespeito aos diferentes segmentos sociais.
Por MA10.

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