Foguete VS-30 deve ser lançado nesta quinta-feira em Alcântara

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) deve lançar, nesta quinta-feira (06), o foguete suborbital VS-30 V14, na Operação MUTITI, que está sendo realizada desde o dia 19 de novembro, em Alcântara, pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), sob coordenação do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A Operação MUTITI tem por objetivos realizar o lançamento do veículo suborbital VS-30 V14, bem como o rastreio da carga útil PSR-01, na qual estão embarcados experimentos de diferentes organizações de ensino, pesquisa e desenvolvimento, quais sejam: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), e o próprio IAE, de forma a permitir a realização de experiências tecnológicas e científicas, a partir do CLA, e utilizando o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte (RN), como Estação Remota.

O VS-30 possui 7,719 metros de comprimento e uma massa total de 1.472,7 kg, devendo atingir uma altitude máxima superior a 150 quilômetros. Este é o 14º de sua série, fabricado para ser testado em voo. O VS-30 já foi lançado outras 13 vezes, todas com pleno sucesso, das quais as duas primeiras ocorreram no CLA, e a última em Esrange, na Suécia, em 2016.

Experimentos embarcados

A carga útil do foguete VS-30 V14, denominada Plataforma Suborbital de Reentrada 01 (PSR-01), possui, em seu interior, cinco experimentos de  centros e institutos de pesquisas brasileiros, quais sejam:

Sonda Lagmuir de Densidade e Temperatura Eletrônica – INPE

O experimento de número 1 consiste de uma Sonda Lagmuir de Densidade e Temperatura Eletrônica, conduzido por pesquisadores do INPE. Essa sonda é usada para medir a variação de correntes eletrônica e iônica ao longo da trajetória do foguete, em altitudes superiores a 60 km. O estudo desenvolvido pelo INPE se torna de vital importância para a moderna sociedade tecnológica, uma vez que permite compreender o funcionamento da atmosfera terrestre, especialmente a ionosfera, uma vez que irregularidades encontradas nessa região interferem marcadamente nos processos de comunicação por ondas eletromagnéticas, aí incluídas as transmissões por meio de satélites e os sistemas de navegação com Global Navigation Satellite System (GNSS), a exemplo do GPS.

Comportamento Térmico de um Forno de Solidificação de Ligas (CTFS) – INPE

O experimento de número 2, também de responsabilidade do INPE, aborda o Comportamento Térmico de um Forno de Solidificação de Ligas (CFTS). O estudo visa a avaliar o funcionamento de um forno elétrico com capacidade de fundir materiais com temperatura de fusão entre 100 e 300° C, de forma a permitir seu aperfeiçoamento e qualificação para aplicação em outros voos. Exemplificando, se imaginarmos uma amostra de substâncias que não se misturam ao serem fundidas e solidificadas em condição terrestre ambiente e, ao serem submetidas ao processo de fusão e solidificação no forno em ambiente de microgravidade, estas poderiam se misturar, formando um composto homogêneo. Isso possibilita novas aplicações em engenharia no desenvolvimento de produtos, sobretudo em pesquisas relacionadas à resistência de materiais.

Sensores Ópticos para Medidas de Aceleração (AOM) – IEAv

O experimento de número 3, de autoria do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), se mostra mais do que um experimento isolado, mas sim a apresentação de um laboratório completo embarcado no foguete de sondagem. Ele é composto por três diferentes tipos de sensores ópticos, para medidas de aceleração. Cada um desses utiliza uma abordagem diferenciada, todas inovadoras e na fronteira do conhecimento, atingindo índices de precisão não observados nos sensores comerciais existentes. A análise do comportamento de tais sensores em voo constitui uma importante contribuição para a independência nacional na área de navegação inercial e de sensores a fibra óptica em geral, na medida em que os mesmos podem ser diretamente aplicáveis em aeronaves tradicionais, remotamente pilotadas, VANTs e veículos lançadores, por exemplo. Ainda, todos os demais componentes existentes no “laboratório embarcado” neste experimento, foram desenvolvidos pelo IEAv, revestindo-se de tecnologia nacional e propiciando a independência tecnológica para o Brasil nessa área. Para tanto, podemos citar a placa de aquisição de dados, desenhada e construída no Brasil, e a fonte de isolação galvânica, da mesma forma projeto do IEAv.

Sistema Ioiô e de Separação (PSM – MQ) – IAE

O experimento de número 4 reveste-se de sistemas em desenvolvimento pelo IAE e que permitem, inicialmente, a redução da velocidade de rotação após o fim da queima do motor foguete (sistema Io-Iô) e, posteriormente, uma separação segura entre a carga útil e o veículo (sistema de separação). O objetivo do experimento, como um todo, é o de testar o modelo de qualificação do Sistema Ioiô e do Sistema de Separação que serão utilizados no Modelo de Qualificação (MQ) da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM), a plataforma de microgravidade nacional. Anteriormente dependente de fornecimentos estrangeiros, estes sistemas agora testados vão propiciar uma independência tecnológica do Brasil e, consequentemente, eventuais embargos.

Sensor Mecânico Acelerométrico (SMA) – IAE

O experimento de número 5 é, também, um desenvolvimento do IAE. Realizará seu quarto voo e trata-se de um dispositivo de segurança para veículos espaciais. Esse dispositivo, só permite a ignição de motores do segundo estágio, ou estágios superiores, quando o foguete apresenta uma aceleração de 4g, o que ocorre apenas durante o voo. Desenvolvido e aperfeiçoado a partir da experiência acumulada nos lançamentos do foguete suborbital VSB-30, o sensor traz maior segurança aos veículos ainda em solo na plataforma de lançamento, ao passo que impede o acionamento do sistema de pirotecnia responsável pela ignição se, por algum motivo inesperado, o sistema eletrônico embarcado entender que o foguete encontra-se em voo.
Por MA10.

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