João de Deus será investigado por tráfico de bebês e tem 50 milhões de reais bloqueados

O Ministério Público em São Paulo encaminhou nesta segunda-feira (7) informações ao Ministério Público Federal (MPF) sobre o suposto envolvimento do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, em um esquema de tráfico internacional de bebês e de escravização de mulheres, com um pedido formal para que elas sejam investigadas.

A defesa do médium disse que as acusações não têm provas e desmerecem "maior consideração".

O caso foi apresentado à promotoria paulista pela ativista Sabrina Bittencourt, do grupo "Somos Muitas", que deu publicidade, mês passado, a uma série de casos de abuso sexual que teriam sido praticados pelo médium contra mulheres que buscavam atendimento espiritual.

Sabrina divulgou um vídeo nas redes sociais no qual afirma que o médium integraria uma quadrilha de tráfico de bebês e também de escravização sexual de mulheres há pelo menos 20 anos. Funcionários dele atuariam em conjunto nos crimes relatados.

Ela afirma ter coletado relatos de mães adotivas de países como Estados Unidos e Austrália; as mulheres eram forçadas a engravidar em troca de comida para seus filhos. Sabrina diz ter provas que não foram especificadas no vídeo.

Os bebês, segundo Sabrina, seriam comercializados com famílias estrangeiras a valores entre US$ 20 mil e US$ 50 mil.

A coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, Valéria Scarance, afirmou que as informações têm riquezas de detalhes.

"É um fato que precisa ser apurado." O Ministério Público Federal disse ainda não ser possível informar quais medidas serão tomadas.

Procurado pela reportagem, o advogado Alberto Toron, defensor de João de Deus, afirmou que irá aguardar a investigação. Ele disse que, sem a apresentação de provas, as acusações apresentadas por Sabrina Bittencourt não merecem consideração.

50 MILHÕES

Se não bastasse a enxurrada de denúncias que surgiram contra o médium nos últimos dias, uma outra bomba caiu sobre ele nesta terça-feira (9).

A justiça de Goiás cumpriu a determinação de bloquear R$ 50 milhões em imóveis e dinheiro de João de Deus para garantir que as vítimas de abusos sexuais sejam indenizadas.

João de Deus foi preso no final do ano passado e nega as acusações.

(DOL com FolhaPress)

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