'Vou continuar vestindo o que quero', diz deputada atacada por usar decote

Atacada nas redes sociais por usar um macacão vermelho decotado no dia de sua posse na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, a deputada estadual Ana Paula da Silva (PDT-SC) afirmou, em entrevista ao portal UOL, que continuará “vestindo o que quer”. “A participação da mulher na sociedade é tão minúscula que um decote pode ficar enorme. Vou continuar vestindo o que eu quero. Não pretendo me violentar para agradar ninguém”, afirmou Deputada Paulinha, como é conhecida entre seu eleitorado.
Duas vezes prefeita de Bombinhas, cidade com 20 mil habitantes a 70 km de Florianópolis, ela foi a quinta parlamentar mais votada entre os 40 eleitos no estado – dos quais 35 são homens – com 52 mil votos.
As críticas foram tamanhas que a própria Assembleia Legislativa de Santa Catarina emitiu uma nota oficial repudiando os comentários misóginos. “Reforçamos que este tipo de visão não cabe mais em uma sociedade diversa, onde todo cidadão tem o direito de se expressar. E que o ataque a qualquer parlamentar é também um ataque ao Parlamento e, por consequência, à democracia”, traz a nota.
Em entrevista ao UOL, Ana Paula afirmou que sentiu mais crueldade por parte das mulheres nos comentários, mas, em compensação, se sentiu mais ameaçada pelos comentários masculinos. “Sem dúvida, as mulheres são mais cruéis. Existe um machismo que elas próprias patrocinam, às vezes até por uma questão de educação. É algo internalizado. Por sua vez, os homens tem um tipo de agressividade mais assustadora. Eles não falam mal da roupa, mas em compensação podem ser violentos. O número crescente de casos de abuso sexual e feminicídio estão aí para mostrar”. Segundo ela, Santa Catarina é o quarto estado com mais casos de violência contra mulheres no Brasil.
Questionada se teria se arrependido de usar o macacão durante a posse, a deputada destacou que, desde a separação com seu ex-marido, decidiu que ninguém mais definiria que roupa usaria. “Olha, quando eu me separei, há sete anos, eu tomei uma resolução para a vida. De empoderamento mesmo. A partir dali, nunca mais deixaria alguém decidir que roupa eu usaria. Isso vale para o namorado e para o resto do mundo.”
“De qualquer forma, não é porque eu estou em um ambiente masculino que vou me masculinizar ou me portar como um homem para conseguir respeito. Quero me vestir como mulher, e ser a mulher que eu sou. Confesso que não sigo protocolos”, completou a parlamentar.
Entre as prioridades da parlamentar, Ana Paula enumerou Educação e Saúde. “Em Davos (Fórum Econômico Mundial, na Suíça), já em 2015, eles estabeleceram como metas na educação o desenvolvimento do pensamento crítico; do espírito de liderança; do trabalho em equipe; da orientação para o servir; da flexibilidade diante das diferenças e da tomada de decisões (capacidade de negociação). Você não vê nada disso nas escolas brasileiras. Talvez em uma ali, outra acolá, mas de forma muito reduzida”.

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